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O PODER DO SORRISO
(Tamanho: 15 x 15 cm)
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O poder do sorriso é grande,
e saber sorrir é algo de muito importante.
«No momento em que sorrimos para alguém,
descobrimo-lo como pessoa, e a resposta do seu sorriso
quer dizer que nós também somos pessoa para ele.»
Antoine de Saint-Exupéry
CONJUGAÇÃO DE ARTES!
(Tamanho 18 x 18 cm)
* OFERTA À MINHA IRMÃ *
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A BAILARINA
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri!
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças
e também quer dormir como as outras crianças.
Cecília Meireles
INFERNO DE AMAR
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ESTE INFERNO DE AMAR
Este inferno de amar – como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é vida – e que a vida destrói.
Como é que se veio atear,
Quando – ai se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez… foi um sonho.
Em que a paz tão serena a dormi!Oh!
Que doce era aquele olhar…
Quem me veio, ai de mim! Despertar?
Só me lembra que um dia formoso
Eu passei… Dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.Que fez ela?
Eu que fiz? Não o sei;
Mas nessa hora a viver comecei…
Almeida Garrett
Etiquetas:
Caixas em folha de madeira,
madeira
ESTRELADO!
(Tamanho 18 x 10 cm)
* OFERTA À MINHA IRMÃ *
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«Era uma vez um menino chamado Pedro que viu, um dia, à meia-noite, uma estrela… Era a estrela mais gira do céu. Como é que ninguém a tinha roubado? Ele próprio poderia facilmente apanhá-la, era só deitar-lhe a mão. Então, quando achou que os pais estavam a dormir, abriu a janela e saltou para a rua, a janela era baixa. Assim que se viu na rua, desatou a correr até à igreja. A estrela ficava mesmo por cima da torre. Ele entrou na igreja, a porta estava aberta, e começou a subir as escadas… ali cheirava muito mal. Subiu até ao campanário e tinha agora de subir uma escadinha estreita e depois outra de ferro, ao ar livre. Reparou que não chegava ainda à estrela com a mão, portanto teve de subir mais um pouco dobrando e desdobrando as pernas como uma rã. No cimo da torre havia uma bola de pedra com um ferro enterrado e no cimo do ferro estava um galo com os quatro pontos cardeais. Ele empoleirou-se nos ferros cruzados e começou a despregar a estrela a pouco e pouco. A estrela soltou-se, por fim, e ele prendeu-a no cordel das calças. Agora tinha de descer com cuidado, pois se a estrela caísse lá em baixo podia partir-se… Ele desceu devagar, correu para casa e trepou à janela. Quando se foi deitar, ainda esteve algum tempo com a estrela na mão, mas não muito, porque estava cheio de sono. Então, guardou a estrela numa caixa e adormeceu. No dia seguinte, acordou tarde e a mãe estranhou. A certa altura, Pedro começou aos berros e a mãe veio logo, muito aflita, ver o que ele tinha. Ele estava fora de si e gritava:
- Roubaram-ma! Roubaram-ma! A mãe pensou que eram restos de sono, não ligou e disse: - Vê é se tiras o cu do ninho, que já são horas. Levantou-se da cama e foi para a cozinha, mas não comeu nada, pois estava triste: pois a sua estrela já não era a mesma, era como uma estrela de lata. Chegou a noite e Pedro foi-se deitar, mas não tinha sono e, de repente, viu vir uma luz muito forte de baixo da cama que se estendia pelo soalho, assustou-se, mas, antes de se assustar muito e berrar, lembrou-se que era a estrela que brilhava tanto como quando a fora apanhar. No dia seguinte, à noite, um velho, bastante velho, começou a berrar coisas, mas ninguém o percebia, até que o Cigarra, um tipo que tocava viola lhe encostou o ouvido à boca, percebeu-o e começou a gritar: - Roubaram a Estrela! As pessoas ficaram a olhar umas para as outras sem nada entender e Pedro foi-se raspando.
Gerou-se então uma discussão: uns, como o Sr. António Governo, uma pessoa muito importante lá na aldeia, consideravam que uma estrela a mais ou a menos no céu pouca diferença fazia, outros, como o velho e o Cigarra, achavam as estrelas importantes, porque enfeitam o céu.
Ao jantar, as conversas iam dar sempre ao mesmo: o roubo da estrela. Pedro fingia que não ouvia, muito encavacado, comendo depressa para ir para a cama. Nem tocava na caixa com medo que os pais descobrissem. E o roubo foi sendo esquecido. Só então ele abriu a caixa e espreitou a estrela.
Certa noite, a mãe lembrou-se de ir verificar se o lume estava bem acondicionado para não pegar fogo nem se apagar e, ao passar pelo quarto do filho, viu um feixe de luz por debaixo da porta, abriu a porta devagar, espreitou e apanhou o Pedro com a estrela na mão. A mãe furiosa foi-se a ele e tirou-lhe a estrela da mão, queimou-se e atirou um grito tão alto que o pai acordou. O pai correu para o quarto do filho e encontrou os dois a chorar. Pedro chorava, mas não sabia porquê. A mãe chorava, porque ficara com a mão toda queimada. O pai mal falou, mas no outro dia toda a freguesia se pronunciou.
Ninguém acreditava que aquilo era a estrela e até pediram uma opinião ao latoeiro. Este confirmou que não era uma estrela de certeza. Então o Governo disse, como um homem sábio que era, que só à meia-noite é que a estrela brilhava. À meia-noite toda a aldeia se reuniu no adro, o Governo chamou o seu filho para pôr a estrela no seu lugar, mas este ao agarrá-la queimou-se, largando-a logo. O pai do Pedro pediu silêncio e disse que o seu filho tinha tirado a estrela, devendo, por isso, ser ele a devolvê-la ao céu. Pedro lá foi. Subiu à torre, ao galo e aos pontos cardeais, tirou a estrela do cinto e colocou-a no seu lugar. Toda a gente soltou um “ah!” e nem reparou que a estrela começou a brilhar muito menos. E ou se assustou com a força do “ah!” ou porque não fincou bem os pés no varão, Pedro escorregou até à bola de pedra, desequilibrou-se e caiu da torre, estampando-se nas pedras do adro. Todos choraram a sua morte. A estrela ainda lá está e toda a gente a conhece.»
- Roubaram-ma! Roubaram-ma! A mãe pensou que eram restos de sono, não ligou e disse: - Vê é se tiras o cu do ninho, que já são horas. Levantou-se da cama e foi para a cozinha, mas não comeu nada, pois estava triste: pois a sua estrela já não era a mesma, era como uma estrela de lata. Chegou a noite e Pedro foi-se deitar, mas não tinha sono e, de repente, viu vir uma luz muito forte de baixo da cama que se estendia pelo soalho, assustou-se, mas, antes de se assustar muito e berrar, lembrou-se que era a estrela que brilhava tanto como quando a fora apanhar. No dia seguinte, à noite, um velho, bastante velho, começou a berrar coisas, mas ninguém o percebia, até que o Cigarra, um tipo que tocava viola lhe encostou o ouvido à boca, percebeu-o e começou a gritar: - Roubaram a Estrela! As pessoas ficaram a olhar umas para as outras sem nada entender e Pedro foi-se raspando.
Gerou-se então uma discussão: uns, como o Sr. António Governo, uma pessoa muito importante lá na aldeia, consideravam que uma estrela a mais ou a menos no céu pouca diferença fazia, outros, como o velho e o Cigarra, achavam as estrelas importantes, porque enfeitam o céu.
Ao jantar, as conversas iam dar sempre ao mesmo: o roubo da estrela. Pedro fingia que não ouvia, muito encavacado, comendo depressa para ir para a cama. Nem tocava na caixa com medo que os pais descobrissem. E o roubo foi sendo esquecido. Só então ele abriu a caixa e espreitou a estrela.
Certa noite, a mãe lembrou-se de ir verificar se o lume estava bem acondicionado para não pegar fogo nem se apagar e, ao passar pelo quarto do filho, viu um feixe de luz por debaixo da porta, abriu a porta devagar, espreitou e apanhou o Pedro com a estrela na mão. A mãe furiosa foi-se a ele e tirou-lhe a estrela da mão, queimou-se e atirou um grito tão alto que o pai acordou. O pai correu para o quarto do filho e encontrou os dois a chorar. Pedro chorava, mas não sabia porquê. A mãe chorava, porque ficara com a mão toda queimada. O pai mal falou, mas no outro dia toda a freguesia se pronunciou.
Ninguém acreditava que aquilo era a estrela e até pediram uma opinião ao latoeiro. Este confirmou que não era uma estrela de certeza. Então o Governo disse, como um homem sábio que era, que só à meia-noite é que a estrela brilhava. À meia-noite toda a aldeia se reuniu no adro, o Governo chamou o seu filho para pôr a estrela no seu lugar, mas este ao agarrá-la queimou-se, largando-a logo. O pai do Pedro pediu silêncio e disse que o seu filho tinha tirado a estrela, devendo, por isso, ser ele a devolvê-la ao céu. Pedro lá foi. Subiu à torre, ao galo e aos pontos cardeais, tirou a estrela do cinto e colocou-a no seu lugar. Toda a gente soltou um “ah!” e nem reparou que a estrela começou a brilhar muito menos. E ou se assustou com a força do “ah!” ou porque não fincou bem os pés no varão, Pedro escorregou até à bola de pedra, desequilibrou-se e caiu da torre, estampando-se nas pedras do adro. Todos choraram a sua morte. A estrela ainda lá está e toda a gente a conhece.»
Virgílio Ferreira
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