ENTRETANTO... DÁ-ME UM ABRAÇO!

«Dá-me um abraço que seja forte
E me conforte, a cada canto
Não digas nada, que o nada é tanto
E eu não me importo.
*
Dá-me um abraço fica por perto
Neste aperto tão pouco espaço
Não quero mais nada, só o silêncio
Do teu abraço.
*
Já me perdi sem rumo certo
Já me venci pelo cansaço
E estando longe, estive tão perto
Do teu abraço.
*
Dá-me um abraço, que me desperte
E me aperte sem me apertar
Que eu já estou perto abre os teus braços
Quando eu chegar.
*
É nesse abraço que eu descanso
Esse espaço que me sossega
E quando possas dá-me outro abraço
Só um não chega...»
Miguel Gameiro

FOLHAS... DE PAPEL!


«Na orla do vento movem
Seus corpos mortos as folhas.
E ora das árvores chovem,
Ora onde inertes não movem
A chuva do Outono molha-as.
Não há no meu pensamento
Vontade com que o pensar,
Não tenho neste momento
Nada no meu pensamento:
Sou como as folhas do ar.
Mas elas certo não sentem
Esta mágoa inteira e funda
Que meus sentidos consentem.
Nada são e nada sentem
Da minha mágoa profunda».
Fernando Pessoa

BOAS LEITURAS!